Causa Centenária

A educação é a causa símbolo da comemoração dos 100 anos da Votorantim e marca também a celebração de um compromisso centenário da companhia e de seus acionistas com este pilar social fundamental

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HÁ MAIS DE 100 ANOS A EDUCAÇÃO É UMA DAS CAUSAS DA VOTORANTIM

A origem da relevância que a Votorantim dá para a educação se confunde com os primórdios da empresa e com um compromisso da família de empreendedores e acionistas com a causa.

Um dos grandes investimentos de Antonio Pereira Ignacio nos primórdios da Votorantim foi a melhoria da vila operária, onde, entre outros, instalou a escola primária Pereira Ignacio e uma creche. Os boletins dos alunos eram entregues a ele que, pessoalmente, controlava as notas. Os bons alunos iam fazer o ginásio (hoje Ensino Fundamental) em Sorocaba, com bolsas de estudo concedidas por Pereira Ignacio.

E a partir desses primeiros anos muitos outros se seguiram com investimentos cada vez mais organizados e consistentes em ações voltadas ao acesso e melhoria da educação.

Creche para filhos de funcionários da Fábrica de Tecidos Votorantim, década de 1920.

HISTÓRIAS DE VIDA

As trajetórias dos pioneiros Antonio Pereira Ignacio e José Ermírio de Moraes revelam sua ligação com a educação como uma forma de crescimento pessoal e de ganhar o mundo.

Pereira Ignacio teve uma origem humilde, chegou ao Brasil aos 10 anos de idade, em 1884, sem saber ler nem escrever. E esse era um dos motivos pelos quais ele dava grande importância a educação. Não só no Brasil, mas também em sua terra natal, Portugal, mantinha projetos e investia recursos para ampliar o acesso à educação.

Pereira Ignacio auxiliava a população de Baltar, em Portugal, com diversas ações, entre elas a criação de cursos escolares gratuitos e creche. Ele construiu uma grande casa onde ficava quando ia para Portugal. Nos fundos da casa além de servir comida para crianças e idosos, um professor era pago para ensinar as crianças a ler e escrever

Nascido em 1900, no interior de Pernambuco, José Ermírio de Moraes foi estudar na escola primária de Upatininga, antiga vila de Lagoa Seca, a alguns quilômetros do Engenho Santo Antônio, onde morava. Chegada a adolescência, José Ermírio vai estudar em Recife no Colégio Alemão. Nele o menino aprendeu as línguas alemã e inglesa. Algum tempo depois se deu conta de que a formação superior em Recife era bastante restrita. D. Chiquinha, sua mãe, encorajou o filho e a buscar uma formação técnica nos Estados Unidos. Aos 16 anos José foi inicialmente para a universidade de Baylor, por pouco tempo, e logo depois para a Colorado School of Mines, uma etapa de grande aprendizado para o jovem que viria a se tornar um grande empresário e também Senador da República.

Em uma entrevista ao jornal Estado de São Paulo de 1936, José Ermírio de Moraes mostra sua opinião sobre a educação do país, quando comenta sobre o governo querer aumentar impostos para suprir a educação. “Quem se negará a dar a sua contribuição para que as 500 mil crianças que hoje ainda estão sem escola, possam amanhã desfrutar deste privilégio, obrigação primordial do Estado?”

Na década de 1940, quando o colégio em que seus filhos estudavam, o Rio Branco, seria fechado por seu dono Sampaio Dória, José Ermírio de Moraes ficou consternado com Dória falando que o colégio não dava lucro. “Colégio não se fecha! Eu compro o colégio.” E assim José Ermírio de Moraes adquire o Rio Branco por 75 mil dólares. Pouco tempo depois ele doa a instituição do Rotary Club, seu mantenedor até hoje.

Mais tarde José Ermírio de Moraes doaria a Pernambuco o laboratório da Escola de Química da Universidade de Recife e o prédio da Escola de Minas.

NOVOS INVESTIMENTOS

Durante sua passagem pelo Senado, José Ermírio de Moraes também demonstrou sua preocupação com a Educação. Quando se mudou para Brasília, reformou a chácara que iria morar com sua esposa Helena Pereira de Moraes. Aproveitou o terreno e construiu uma escola, entregou para a prefeitura e pagava a professora para dar educação às crianças da periferia.

Em outro episódio, José Ermírio de Moraes se tornou amigo do Senador Eurico Rezende, que era dono da Universidade do Distrito Federal. José pediu para Eurico selecionar cinco dos melhores alunos de suas faculdades entre os de origem pobre, para que ele pudesse fornecer bolsas de estudo, até se formarem. Mas exigiu que os beneficiados não deveriam saber quem era o benfeitor.

E em 28 de outubro de 1969 José Ermírio de Moraes pronuncia seu discurso chamado “36 pontos fundamentais para a independência econômica do Brasil”. Em um dos pontos ele destaca que seria necessário criar um sistema que dedicasse 20% do orçamento da União para a Educação e 10% para a Saúde, com destaque para a educação universitária.

Correspondências de agradecimento a José Ermírio de Moraes pela destinação de recursos a escolas e universidades enquanto Senador, 1969

Para o Brasil crescer

A Votorantim é uma empresa que cresceu com o Brasil. Quando o país passava pelo avanço de industrialização e crescimento nos anos 1950 e 1960, crescia a necessidade de mão de obra especializada para suprir as mais diversas áreas da indústria. Estes anseios eram refletidos nos relatórios públicos da empresa, como o de 1960 que dizia “Precisamos ampliar, sempre mais, os cursos especializados na formação de engenheiros químicos, metalúrgicos, geólogos, geofísicos, bem como chefes de produção qualificados que, em última análise representam a ligação entre o engenheiro e o contramestre. Precisamos criar escolas técnicas, perfeitamente organizadas, para atender os jovens que querem se aperfeiçoar, ainda mesmo que isto nos custe impostos e taxas. Não se pode compreender que uma nação de quase 70 milhões de habitantes, diplome somente pouco mais de mil engenheiros por ano, (...), se é que queremos progredir rapidamente e com base. ”.

Por isso, nestes anos de 1958 até 1971, vemos a empresa investir na criação de escolas técnicas, na doação de bolsa de estudos e na estruturação de universidades.

* Esta história continua.... Acompanhe no site do Memória Votorantim

Posse de Antônio Ermírio de Moraes na Academia Paulista de Letras, 1999